16 dez Pacientes de Curitiba fazem mau uso dos medicamentos
Pacientes que precisam tomar mais de cinco remédios ao mesmo tempo fazem pelo menos um uso incorreto dos medicamentos, o que acaba atrapalhando o tratamento das doenças. Dos 548 pacientes curitibanos acompanhados de abril a junho deste ano pelo programa piloto de orientação farmacêutica do Ministério da Saúde, 54% omitiram doses, 34% desistiram do tratamento após alguma melhora, 33% não respeitaram o horário da medicação e 21% fizeram adição de doses que não estavam prescritas. Os dados preliminares foram divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Ministério e pela Secretaria Municipal de Saúde. O estudo final só deve ser anunciado em março de 2015.
Durante os três meses, 31 farmacêuticos de 54 unidades de saúde de Curitiba passaram a realizar consultas individuais ou atendimentos domiciliares a idosos e portadores de doenças crônicas que tomam mais de cinco remédios ao mesmo tempo para orientar sobre o uso correto dos medicamentos, já que a polimedicação pode causar intoxicação, reações adversas e interferir no efeito individual de cada remédio. A farmacêutica Beatriz Patriota, coordenadora da atenção farmacêutica no programa Saúde da Família de Curitiba, explica que o profissional senta com o paciente e esclarece para que servem os medicamentos e como eles devem ser ingeridos. Em caso de conflito entre as fórmulas, o farmacêutico entra em contato com os médicos responsáveis para discutir como harmonizar os remédios.
Agora o plano do Ministério é levar esse serviço a todos os municípios do país para reforçar o atendimento ao paciente. Por isso foram lançadas três cartilhas com orientações para as cidades e os profissionais que queiram implantar o programa de cuidado farmacêutico. O serviço otimiza o atendimento e gera uma economia para o sistema. Ao invés do paciente precisar agendar outra consulta com o médico só para tirar dúvidas sobre a medicação, ele poderá conversar com o farmacêutico para esclarecer suas dificuldades, o que libera espaço na agenda dos médicos, defende José Miguel do Nascimento Júnior, que atualmente dirige o Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério.
O médico clínico do Hospital de Clínicas Niazy Ramos Filho, que também leciona Medicina na Universidade Federal do Paraná (UFPR), avalia que a implantação do serviço farmacêutico é um avanço. O atendimento ao paciente tem que ser encarado de forma multidisciplinar e todos os diferentes profissionais da saúde podem colaborar para isso, garante Ramos Filho. O especialista lembra que cada médico costuma receitar remédio para um determinado problema de saúde, mas raramente as diferentes especialidades conversam entre si para averiguar os efeitos da combinação das medicações. É aí que entra o papel do farmacêutico, frisa.
A categoria dos farmacêuticos celebra o reconhecimento da profissão e destaca que, sem querer usurpar as competências médicas, o atendimento farmacêutico vai ajudar a desafogar o serviço médico. O projeto redefine o papel do farmacêutico. Ele sai da sua zona de conforto, do trabalho mais administrativo de gerenciar os remédios, e passa a interagir com o paciente, diz o vice-presidente do Conselho Federal de Farmácia Valmir De Santi.
Fonte: Gazeta do Povo
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