30 jun FarmaDoc 6° Edição – Saúde Indígena
Para o farmacêutico atuante em saúde indígena, Claudemir Alcanforado de Oliveira, a atuação do farmacêutico nas comunidades indígenas é um desafio gratificante, o qual requer constante busca de conhecimento da cultura, costumes, hábitos e línguas. Adquirir o máximo de conhecimento é fundamental tanto para o profissional quanto para a comunidade, que precisa se sentir segura e compreendida. Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre a história que Claudemir vem trilhando nessa área.
Trajetória:
Claudemir Alcanforado de Oliveira, natural de Redenção, é farmacêutico formado pela Faculdade Integrada Carajás, com pós-graduação em Saúde Indígena pela Faculdade São Marcos de Porto Nacional- TO. Em 2017, foi aprovado no processo seletivo para técnico de enfermagem, porém, já trabalhava no setor farmacêutico dentro do CAF (Centro de Abastecimento Farmacêutico), adquirindo experiências e conhecimentos na área da farmácia. No ano de 2021, foi aprovado no processo seletivo de farmacêutico e, em 2022, começou a atuar como tal.
Na entrevista dada para o CRF-PA, o farmacêutico contou que sua motivação para atuar na área de saúde indígena surgiu a partir da curiosidade, “era uma área que não conhecia, tive que me reinventar como profissional, já que atuava como técnico de enfermagem há 10 anos”. Durante o processo, foi preciso buscar conhecimento sobre a saúde indígena, comunidades e órgãos que atuam para a saúde nas aldeias. “A saúde indígena de medicamentos é diferente da nossa, a cultura é diferente, até a confiança da comunidade no meu trabalho, tudo isso me motivou para estar aqui”, contou.
Contribuição para saúde nas comunidades indígenas:
Atualmente, Claudemir de Oliveira atua como assistente farmacêutico, prestando serviços e colaborando na saúde para a Etnia Kayapó, povo de cultura Guerreiro da Região Sul do Pará, dentro das aldeias pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), com sede na cidade de Redenção. As dificuldades de acesso e logística às aldeias em zonas rurais, florestas e áreas fluviais é parte do desafio enfrentado dentro das comunidades indígenas.
Nas zonas rurais, o farmacêutico também faz parte da Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI), desenvolvendo suas atividades e prestando assistência farmacêutica aos indígenas com palestras educativas, orientações sobre o uso de medicamentos fitoterápicos e naturais, além de uso racional de medicamentos e conscientização acerca da prevenção de doenças endêmicas, lixo e resíduo, promovendo a educação ambiental coletiva.
Claudemir relata que sua experiência de vida como farmacêutico na saúde indígena é recompensante: “O desafio constante contribui com meus conhecimentos na área da saúde pública, conhecer seus costumes culturais e ter a confiança da comunidade indígena no meu trabalho é o que me move. É gratificante trabalhar como farmacêutico e fazer toda diferença como profissional e pessoa”, relatou o farmacêutico.
Como atuar:
Para os farmacêuticos que possuem interesse de atuar na área, Claudemir enfatiza que o primeiro passo é estudar, buscar conhecimento, com pós- graduações e cursos de atenção básica, saber quais unidades possibilitam o trabalho, como o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI), além de se atentar às diversas etnias e hábitos presentes nas comunidades indígenas.
Para seguir carreira na saúde indígena como farmacêutico, tem que ser aprovado no processo seletivo que tem todos os anos nas 34 unidades do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) pelo Brasil.
É preciso estudar sobre povos indígenas, como é organizado a saúde pública nos DSEI e, claro, buscar conhecimento sobre o tema de saúde indígena. Gostar de viajar, se aventurar e estar na natureza também é um requisito: “muitos não se adaptam, mas quem se adapta não quer mais sair. Eu já estou respirando saúde indígena há muitos anos e cada vez mais gosto”, finalizou o farmacêutico.
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