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Dermocosméticos de qualidade

Dermocosméticos de qualidade

Típicas da Amazônia, as oleaginosas andiroba e copaíba são as apostas atuais do mercado nacional quando se trata de dermocosméticos produzidos com motivos regionais. Essas plantas, possuidoras de propriedades fitoterápicas, desempenham funções anti-inflamatórias, cicatrizantes e até antibióticas.  O óleo de copaíba, por exemplo, é indicado para o tratamento de caspa, de todos os tipos de desordens de pele e até de úlceras de estômago. Já o óleo da andiroba é utilizado como protetor solar, como antisséptico, relaxante muscular e repelente de insetos, sendo que a casca e a folha da planta, segundo a Medicina Popular, servem ainda contra reumatismo, pneumonia e até depressão.

Com o objetivo de investigar o potencial amazônico para a fitoterapia e para a produção de dermocosméticos de qualidade, o Ministério da Saúde, com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), encomendou ao Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), órgão pertencente à Superintendência da Zona Franca de Manaus, o Projeto Fitodermo, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). O Fitodermo é composto de quatro subprojetos, sendo dois voltados para insumos, um voltado para a produção de fitoterápicos e o outro, para a análise de dermocosméticos.

Na UFPA, o professor Alberto Cardoso Arruda, da Faculdade de Química, é o coordenador responsável pelo subprojeto de dermocosméticos. A meta é realizar uma análise microbiológica, fase que será comandada pelo CBA, em Manaus, e outra fitoquímica e analítica, que será feita no laboratório da Central de Extração da UFPA, para a certificação de produtos dermocosméticos fabricados na Amazônia e de suas cadeias produtivas. Tais análises levarão em conta o trabalho de empresas especializadas em tecnologias, soluções e matérias-primas dermocosméticas, como a Chamma D’Amazônia e a Beraca. O empenho atual da UFPA é certificar quatro produtos que a Chamma D’Amazônia pretende lançar no mercado com potencial anti-inflamatório.

Produtos devem trazer algum benefício ao usuário

De acordo com o pesquisador Alberto Arruda, é importante destacar a diferença entre dermocosméticos e cosméticos: “os cosméticos são criados basicamente para embelezamento e perfumaria. Já os dermocosméticos têm que oferecer ao usuário algum benefício específico”. Assim, o xampu anticaspa, além de embelezar e perfumar, é um dermocosmético, porque combate uma “enfermidade” capilar, a caspa. Um protetor labial hidratante é dermocosmético, porque evita o ressecamento dos lábios. Hidratantes de pele e filtros solares também são exemplos de dermocosméticos, porque trazem benefício direto, além de beleza, cor ou aroma que suscitam.

Segundo o professor, o potencial da Amazônia para tais fabricações é muito grande. A variedade de insumos oleaginosos, por exemplo, os quais são a base para diversos produtos, é enorme na região. É o caso da andiroba, da copaíba e também da castanha-do-Pará. “Essas cadeias são as chaves para a produção de dermocosméticos atualmente”, aponta Alberto Arruda. O que se quer investigar é se as propriedades fitoterápicas desses elementos, quando aplicados em fórmulas dermocosméticas, de fato, chegam aos produtos. “Qual o efeito que se obtém ao acrescentarmos a um sabonete ou xampu uma determinada quantidade de andiroba? Há algum efeito medicinal ou apenas estético? São essas as respostas que as análises do Projeto pretendem alcançar”, explica o professor.

A maioria dos insumos da Amazônia, conforme dados da pesquisa, não tem um padrão, não se desenvolve segundo uma norma técnica que siga parâmetros pré-estabelecidos. No entanto, “se há interesse de uma empresa em exportar os seus produtos, há de se ter tais parâmetros especificados. Neste caso, os produtos dermocosméticos têm que passar por testes de eficiência, de foto e dermo sensibilidade. O papel da Academia é, justamente, estabelecer parâmetros de qualidade para os dermocosméticos e avaliar desde a matéria-prima até o produto final”, ressalta o coordenador.

“Se identificarmos, por exemplo, que um determinado óleo fornecido está fora de padrão para a produção de dermocosméticos, a empresa poderá trocar de fornecedor antes mesmo de lançar o produto final no mercado. Isso também possibilita a certificação da cadeia produtiva e evita que os cosméticos sejam fabricados com produtos alterados ou contaminados com micro-organismos”, complementa Alberto Arruda. Segundo o pesquisador, grande parte dos dermocosméticos produzidos no Brasil não é certificado. E, no caso dos produtos fabricados na Amazônia, isso ocorre, porque a matéria-prima utilizada não tem parâmetros.

Qualidade das cadeias produtivas serão analisadas

Em compensação, os produtos nacionais e/ou internacionais usam matéria-prima no estilo commodities, ou seja, que segue um determinado padrão de referência, de qualidade quase uniforme, produzida em grandes quantidades e por diferentes produtores. Por exemplo, se há uma commodity (fórmula química) para xampu, todas as empresas utilizam a mesma base e alteram alguns ingredientes para dar um efeito diferente aos diferentes tipos de cabelos. Tratando-se de insumos regionais, o efeito do produto final, isto é, a alteração da fórmula base se dá mediante o acréscimo de matéria-prima da biodiversidade amazônica.

Sem parâmetros pré-estabelecidos, será que os acréscimos de elementos regionais estão tendo algum efeito comprovável? No caso de um sabonete acrescido de andiroba, por exemplo, se a ação esperada é anti-inflamatória, de combate a acnes ou ainda à oleosidade, será que 1% dessa substância na base do produto é o suficiente para obter tal efeito? Ou o melhor seriam cerca de 10%? Ou menos de 1%? “O insumo da Amazônia não pode funcionar apenas como marketing ou motivo para onerar o preço do produto”, pondera Arruda.

Composição – E, quando o insumo é a andiroba ou a copaíba, também há diferença se o que se utiliza é o óleo puro ou uma formulação desse óleo. Se for formulação, é preciso verificar a dosagem, a composição, entre outras características importantes para que o elemento tenha o efeito desejado. Por isso também é importante investigar a qualidade da cadeia produtiva dessas plantas. “Faremos várias coletas para investigar, por exemplo, se a composição do óleo varia entre a estação chuvosa e a estação seca. A análise levará em conta a variação do produto em função do seu modo de armazenamento após coletado na natureza”, especifica o professor Alberto. A coleta de material botânico para ser analisado já está sendo feita pela equipe da Central de Extração da UFPA.

A etapa seguinte é comparar os padrões gerados no laboratório com o que vem dos fornecedores, e assim, passar para a certificação, ou não, do produto final que as empresas pretendem colocar no mercado. Os primeiros resultados de análises são esperados para o final de 2012. O Projeto está em fase de estruturação, que se refere à compra e montagem de equipamentos, coleta de material botânico e levantamento de informações. Será necessária uma reforma laboratorial a fim de preparar a Central de Extração para receber novos aparelhos de análises.

Neste momento, o andamento da pesquisa depende da instalação de dois equipamentos. Um deles será o único equipamento desse porte, no Brasil, a funcionar em uma Universidade. Trata-se do HP TLC, um cromatógrafo em camada fina de alta performance, que visa ao aumento de precisão, reprodutibilidade e repetibilidade de análises quantitativas e qualitativas, as quais determinam as classes de substâncias presentes em uma determinada amostra vegetal. O outro equipamento, em fase de importação, é o cromatógrafo GC com FID, que serve para determinar a composição de ácidos graxos nos óleos vegetais. A Central de Extração fica no Setor Básico da UFPA, no Campus do Guamá.

Fonte: Jornal Beira do Rio – UFPA

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