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Uso de pílula não aumenta risco de contágio por HIV, diz OMS

Uso de pílula não aumenta risco de contágio por HIV, diz OMS

Mulheres soropositivas ou parceiras de um homem com HIV podem continuar a usar com segurança contraceptivos hormonais para evitar a gravidez. 


A recomendação foi reforçada ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após um parecer do Comitê de Revisão de Diretrizes. O parecer segue uma análise minuciosa de evidências sobre o uso de anticoncepcionais e a infecção pelo HIV. 

A OMS convocou uma consulta técnica para rever todas as pesquisas epidemiológicas sobre o assunto depois que um estudo publicado em outubro do ano passado sugeriu que o uso dos contraceptivos hormonais (tanto as pílulas quanto os injetáveis) poderiam aumentar o risco de a mulher transmitir o HIV aos seus parceiros. A revisão envolveu 75 especialistas de 18 países.

Atuais. As recomendações atuais, que estão em vigor desde 2009, permanecem: não há restrições para o uso de método anticoncepcional hormonal por todas as mulheres que vivem com HIV ou que possuem risco de contrair a doença. 

A OMS recomenda, no entanto, que casais soropositivos que procuram evitar a gravidez indesejada devem ser aconselhados a usar a dupla proteção, associando o uso de anticoncepcional com preservativos.

“Alguns estudos divulgados no ano passado abriram essa polêmica, de que o uso do anticoncepcional seria um facilitador da infecção, sobretudo nos homens. Isso teve uma repercussão muito grande, especialmente na classe médica, e a OMS veio esclarecer a dúvida”, diz Mário Scheffer, da ONG Pela Vidda.

Isso porque outros estudos internacionais demonstram que, se a pessoa com HIV está em tratamento, toma a medicação antirretroviral adequadamente e está com a carga viral indetectável, ela pode até pensar em ter filhos de maneira natural, sem ter de recorrer à reprodução assistida, já que o risco de transmissão do vírus para o parceiro nesses casos é praticamente zero.

“Hoje em dia já se admite a concepção natural em casos específicos. Essa publicação da OMS é uma admissão de que no mundo real as pessoas com HIV não usam camisinha em 100% das relações, como a gente gostaria que fosse”, diz o infectologista Ésper Kallas, professor da USP.

Mas a recomendação é para os casais que não querem engravidar. “A OMS não está falando para a mulher usar anticoncepcional e largar a camisinha. Não acho que isso fará as pessoas relaxar na proteção. O que importa é não perdermos a oportunidade de falar sobre o assunto e sobre as formas de proteção que existem”, diz Kallas.

Fonte: Estadão

 

 

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