A corrida para a produção e disponibilização da vacina para a Covid-19 — CRF-PA
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A corrida para a produção e disponibilização da vacina para a Covid-19

A corrida para a produção e disponibilização da vacina para a Covid-19

Com a pandemia do novo Coronavírus iniciou uma corrida para a produção da vacina que proporcionará a imunização contra a covid-19. As vacinas são produtos biológicos que são capazes de desenvolver uma resposta imunológica, que é a produção de anticorpos. Membro da Câmara Técnica de Farmácia Hospitalar e um dos idealizadores do Guia de Vacina do CRF/PA, Dr. Luis Fernando Mendonça, explicou quais são as etapas para a criação da vacina para o Coronavírus.

De acordo com ele, o primeiro passo para a criação de uma vacina é a identificação do antígeno, vale lembrar que esse determinante antigênico ou antígeno alvo pode ser um antígeno vivo atenuado, inativado, fragmentos ou porções, DNA, entre outros. A partir da identificação, realiza-se o isolamento e cultivo do mesmo e, em uma fase conseguinte denominada de processamento, realiza-se a purificação desse antígeno utilizando-se várias etapas tais como: separação, destoxificação, filtração (variando de acordo com o tipo de determinante antigênico a ser utilizado). Assim, chega-se com o produto final, um concentrado purificado”, comentou o farmacêutico.

A segunda fase, chamada de pré-clínica, é quando os testes avaliam o potencial efeito terapêutico do antígeno a ser utilizado como vacina. Dr. Luis Fernando explica que “são avaliados de forma bastante criteriosa aspectos como as concentrações, toxicidade e efeitos colaterais. Os testes nessa fase são realizados em modelos experimentais, que são os animais, ou testes in vitro controlados em laboratório”.

A fase clínica propriamente dita, que são os testes em seres humanos, somente se inicia caso os resultados alcançados na fase pré-clínica apontarem bons resultados, sendo esses satisfatórios quanto a atividade terapêutica almejada associado a um padrão de toxicidade aceitável, ou seja, os testes em seres humanos somente começam se houver resultados competentes e quando haja um nível de segurança aceitável a fim de garantir a segurança da pessoa que estará participando do estudo. “Somente após a comprovação de eficácia clínica e segurança comprovadas após testes fase I, II e III em seres humanos é que a vacina poderá ser produzida e distribuída”, explica o Dr. Luís Fernando.

O tempo médio para a produção de uma vacina, desde o processo de isolamento do seu antígeno, passando pelas fases de processamento, pré clinica e clinica até sua produção a disponibilização para utilização em massa, é de 10 anos. Como exemplo, temos a vacina do Sarampo, o vírus foi identificado em 1953 e apenas em 1963 a vacina foi aprovada. O tempo recorde até então para a produção de uma vacina é do Ebola, com 5 anos e meio entre todas as fases apresentadas.

No caso da pandemia de Covid-19, as Agências Reguladoras autorizaram o chamado fast track, uma produção mais rápida ou acelerada, por tratar-se de uma doença com um grau considerável de letalidade e de ordem pandêmica, porém não menos cautelosa e ou com menor controle que o usual.
Entretanto, as perguntas mais realizadas pela população são sobre a possibilidade de uma vacina em tempo hábil e qual a possibilidade de imunização. De acordo com o Dr. Luís Fernando, só existem duas formas de alcançar imunidade de populações ou imunidade de rebanho, como alguns autores citam. Uma é a exposição, ou seja, contato com o vírus, e a segunda é a vacinação. “Acredito que a vacina contra o Covid-19 deva chegar ao mercado em tempo recorde, exatamente por tratar-se de uma doença de altíssima transmissibilidade que acomete o mundo como um todo e que apresenta uma elevada taxa de letalidade. Existe a necessidade iminente dessa celeridade da imunização por vacina, principalmente pela grande quantidade de grupos de risco relacionados a essa nova doença.”.

O farmacêutico ainda complementa que “por tratar-se do desenvolvimento de um produto tendo suas fases aceleradas sem um tempo racional ou normal, para que parâmetros clínicos possam ser estudados e analisados de forma cautelar, acredito que o grande desafio após a vacinação será uma farmacovigilância bastante atenta e efetiva a fim de monitorar a garantia da segurança dos pacientes.”, conclui.

Parcerias facilitam distribuição de vacina no Brasil o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, realizou parcerias com Indústrias Farmacêuticas Multinacionais e Termos de Cooperação com vários países que estão em fase de desenvolvimento da vacina como Reino Unido, China e Estados Unidos. Atualmente no Brasil, estão sendo testadas vacinas com estudos multicêntricos pertencentes aos países já citados, assim como, já foi iniciada a preparação do parque fabril para a produção em massa no país, assim que aprovada pelo Instituto Butantan e Fiocruz.

“Acredito que assim que liberada e produzida, será distribuída por todo território nacional pelo MS e obedecendo a um calendário pré-definido, como hoje já acontece com outros programas de imunizações, priorizando os grupos de risco até atender a população em sua totalidade, bem como acredito que também deva chegar à rede particular para a comercialização”, conclui o Dr. Luis Fernando Mendonça.

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